Laserterapia na odontologia: será que ela é mesmo a única opção?
- há 18 horas
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Uma reflexão sobre o uso de diferentes fontes de luz na cicatrização óssea
Quando falamos em tecnologia na odontologia, algumas abordagens acabam se consolidando de forma quase automática como referência. A laserterapia é uma delas.
Ao longo dos anos, o uso do laser de baixa potência passou a ser amplamente associado à modulação da inflamação e ao estímulo da cicatrização, com aplicações bem estabelecidas em diferentes contextos clínicos. Esse protagonismo não é por acaso: há uma base consistente na literatura que sustenta seus efeitos biológicos.
Mas, ao olhar com mais atenção para o mecanismo envolvido, surge uma questão interessante.
Será que diferentes fontes de luz poderiam gerar respostas semelhantes no tecido?
O papel da fotobiomodulação
Para entender essa pergunta, é importante voltar ao conceito central por trás da laserterapia. Quando utilizamos o laser, o objetivo não é o equipamento em si, mas o efeito que a luz provoca no tecido. Esse processo é conhecido como fotobiomodulação.
De forma geral, a luz interage com estruturas celulares, especialmente nas mitocôndrias, estimulando a produção de energia e modulando respostas inflamatórias. Esse estímulo favorece a atividade celular e cria um ambiente mais propício à reparação tecidual.
Esses mecanismos ajudam a explicar por que a fotobiomodulação tem sido associada a benefícios como melhora na cicatrização e maior organização do tecido formado.
Aplicação na cicatrização óssea
Um dos cenários em que esse efeito se torna particularmente relevante é na cicatrização óssea após extrações dentárias. Após a remoção de um dente, o organismo inicia um processo complexo de reparo, que envolve uma sequência coordenada de eventos biológicos. Desde a formação inicial do coágulo até a remodelação do tecido ósseo, cada etapa contribui para o resultado final.
A forma como esse processo evolui tem impacto direto na qualidade da cicatrização. Nesse contexto, a fotobiomodulação surge como uma estratégia capaz de influenciar positivamente essa resposta biológica.
A pergunta que não quer calar
Considerando que o efeito da fotobiomodulação está relacionado à interação da luz com o tecido, surge uma questão natural.
Será que diferentes fontes de luz poderiam gerar respostas semelhantes no tecido?
A partir dessa pergunta, foi desenvolvido um estudo comparando duas abordagens dentro desse mesmo princípio:
laser de baixa potência
LED
Ambos aplicados sob condições controladas, dentro do mesmo contexto de cicatrização.
O que foi observado
Os resultados mostraram que ambas as abordagens foram capazes de estimular a regeneração óssea quando comparadas à ausência de intervenção. Isso indica que a presença da luz desempenha um papel relevante na modulação do processo de cicatrização. No entanto, ao observar a evolução ao longo do tempo, surgiram diferenças sutis no padrão de resposta.
Houve uma tendência de maior atividade nas fases iniciais de reparo em um dos grupos, enquanto o outro apresentou um padrão mais associado à organização do tecido em fases posteriores. Esses achados sugerem que diferentes fontes de luz podem atuar de maneiras distintas dentro do mesmo processo biológico.
O que isso significa na prática
Esses resultados não diminuem a importância da laserterapia. O laser continua sendo uma ferramenta consolidada, com respaldo científico e aplicações clínicas bem definidas. Sua utilização segue sendo relevante dentro da prática odontológica.
Ao mesmo tempo, esse tipo de evidência amplia a forma como pensamos a fotobiomodulação.
Mais do que escolher uma tecnologia específica, passa a ser importante compreender o efeito biológico que está sendo promovido e como diferentes abordagens podem contribuir para esse processo.
Uma mudança de perspectiva
Na prática clínica, é comum associar melhores resultados a determinadas tecnologias.
No entanto, quando observamos o comportamento biológico com mais atenção, percebemos que a resposta do organismo é resultado de interações mais complexas. Diferentes ferramentas podem atuar dentro desse mesmo contexto, produzindo efeitos que não necessariamente se excluem, mas que podem se complementar ao longo do tempo.
Para concluir
A laserterapia ocupa um papel importante dentro da fotobiomodulação na odontologia.
Mas talvez o avanço não esteja apenas em eleger uma única abordagem como referência.
Pode estar, sobretudo, em compreender melhor os mecanismos envolvidos e utilizar, com critério, as diferentes possibilidades disponíveis para favorecer o processo de cicatrização.
Leitura complementar
Este texto foi baseado em um estudo publicado na revista Lasers in Medical Science (2025).
Luna CAL et al. Photobiomodulation of alveolar bone healing in rats with low-level laser and LED therapy. Lasers in Medical Science, 2025.


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